Desde o início da invasão russa à Ucrânia, em 2022, milhares de crianças passaram a enfrentar os efeitos emocionais devastadores de viver em meio ao conflito. Para tentar amenizar esses impactos e oferecer suporte psicológico, acampamentos terapêuticos foram organizados na cidade de Lviv entre 2022 e 2024, com resultados promissores.
A iniciativa teve como objetivo criar um espaço seguro, identificar crianças em risco de desenvolver transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) e ensinar técnicas de enfrentamento ao estresse, além de apoiar as mães no cuidado emocional dos filhos.
O estudo, conduzido por pesquisadores que acompanharam o projeto, avaliou 1.291 crianças entre 6 e 16 anos, que participaram das atividades junto com suas mães. Durante seis dias, os pequenos tiveram acesso a terapias lúdicas, como jogos, música e dança, além de oficinas de respiração consciente, ioga e expressão corporal. Paralelamente, as mães receberam apoio psicológico especializado, fortalecendo a rede de cuidado emocional familiar.
Resultados positivos: melhora emocional e acesso à saúde mental
Antes do início do programa, 33,9% das crianças apresentavam sinais acentuados de estresse e sintomas relacionados ao TEPT, como insônia, agitação, dificuldade de concentração e ansiedade. Ao final do período, cerca de 75% dos participantes demonstraram melhora significativa no bem-estar emocional.
Outro dado importante é que 79,4% das mães procuraram serviços de saúde mental após a experiência, o que indica uma continuidade no cuidado psicológico iniciado nos acampamentos e um aumento na conscientização sobre a importância desse suporte.
Os pesquisadores ressaltam que, embora os programas tenham sido breves, o impacto positivo é evidente. O modelo, segundo eles, é viável, acessível e replicável, especialmente em zonas de guerra ou contextos de emergência humanitária.
Esperança em meio ao caos
A guerra transformou radicalmente a rotina de milhares de famílias ucranianas. Para as crianças, muitas vezes expostas à violência, perdas e deslocamentos, o trauma pode ser silencioso — mas profundo. Iniciativas como essa, que combinam acolhimento emocional com práticas terapêuticas simples, mostram que é possível restaurar parte da infância roubada pela guerra, ainda que por breves momentos.